Alta dos preços de imóveis não oferece riscos à economia brasileira, avalia Abecip

  Agência Brasil – A alta dos preços dos imóveis, sobretudo nos grandes centros urbanos como Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, não é resultado de uma bolha imobiliária semelhante à dos Estados Unidos, em 2007, que causou a crise financeira mundial, afirmou nesta semana o ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda (1995/1998) José Roberto Mendonça de Barros. Responsável pela empresa de consultoria MB Associados, contratada pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) para realizar um estudo sobre o setor, Barros avalia que o aumento dos preços dos imóveis se sustenta principalmente no crescimento da demanda – provocada, em parte, pelo aumento da renda da população e pelas melhores condições de crédito – e não representa, ao menos em médio prazo e desde que mantidas as atuais condições – um risco à economia brasileira. De acordo com os dados apresentados pela Abecip, apesar do crescente volume de empréstimos, a inadimplência vem caindo ano a ano. Enquanto no ano de 2000, 12% dos contratantes deviam mais de três parcelas, no ano passado este percentual caiu para 2,5%. “Nossos estudos sugerem que não existe uma bolha imobiliária no Brasil. Não há qualquer exagero no volume de empréstimos que estão sendo concedidos e a proporção de recursos próprios usados na compra de imóveis ainda é muito alta. Além disso, os financiamentos são bastante controlados e o país está crescendo, o que faz com que a massa salarial e a capacidade de pagamento aumentem”, disse o economista ao fim da apresentação dos resultados da concessão de crédito imobiliário e do desempenho da caderneta de poupança durante o primeiro semestre. Segundo Barros, após décadas de baixo crescimento da construção civil no Brasil, o aumento do poder aquisitivo de parcela da população, a estabilidade econômica, a maior disponibilidade de financiamentos e a queda da taxa de juros (ainda considerada alta) permitiu o gradativo aumento da demanda por unidades habitacionais. “De repente, o aumento substancial da demanda pressionou a produção, que ainda é pequena”, disse, explicando que isso forçou a alta dos preços. Algo que continuará pelos próximos anos, mas que, de certa forma, de acordo com Barros, deverá ser compensado por um esperado crescimento da renda. A estimativa da MB Associados é de que a massa de renda dos trabalhadores brasileiros aumente, em média, 8% entre 2009 e 2015.

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