Bairro Aparecida mantém vivos movimentos culturais, como o congado

  Júnia Leticia – Estado de Minas Área da Região Noroeste inicialmente ocupada pela classe operária nos anos 1920
Eduardo Almeida/RA Studio
Preço médio para aluguel de casas de dois quartos no local está em R$ 480
26 de setembro de 2010 – Loteado em 1925, o Bairro Aparecida, na Região Noroeste de Belo Horizonte, teve sua planta aprovada em 1929, com o nome de Vila Maria Aparecida. Por estar próximo à Companhia Mineira de Fiação, também conhecida como Fábrica da Cachoeirinha, surgida na mesma década, o local teve uma ocupação predominantemente operária. O processo de povoamento dessas vilas se deu de forma desorganizada e, durante muitos anos, a população não teve acesso a serviços básicos, como água, esgoto e transporte coletivo. Para contar com transporte público, era preciso ir até o Bairro Lagoinha para pegar um bonde. Somente na década de 1940, com a abertura da Rua Pedro Lessa, foi que os bondes puderam chegar às vilas operárias. A falta de infraestrutura urbana no Aparecida durante um longo período fez com que os moradores se unissem para melhorar a qualidade de vida. Mas, além do transporte, que demorou mais de uma década para chegar, eles tiveram de espera pelo abastecimento de água. Foi só na década de 1950 que foi implantada uma rede de 12 chafarizes para abastecer a população.
Eduardo Almeida/RA Studio
Acho importante manter a união da cultura com as pessoas do bairro. A comunidade participa bem e fica reunida – Evandro Pereira Costa, auxiliar administrativo
Morador do bairro há 45 anos, o auxiliar administrativo Evandro Pereira Costa lembra-se que, quando era pequeno, os moradores utilizavam fossa, já que não tinham rede de esgoto. “Além disso, tínhamos de buscar água na cisterna e em algumas ruas não havia calçamento.” O transporte também era precário. Os moradores que viviam na parte do bairro que faz limite com o Ermelinda tinham de andar para chegar ao Aparecida 6ª sessão – como era conhecida a parte do bairro que faz limite com o Bom Jesus, Nova Esperança e Riachuelo – para ter acesso a lotação. “Isso dava de 10 a 15 minutos de caminhada. Tinha de passar pelo córrego, que hoje é a Avenida Américo Vespúcio”, lembra Evandro Costa, fazendo referência à via que corta o bairro. Mas, mesmo com a falta de infraestrutura inicial, os moradores não deixavam de se divertir e expressar-se culturalmente. Junto com o bairro, foram criados os grupos de congado Guarda Feminina Nossa Senhora Aparecida e Moçambique. Com estandartes, bandeiras e fitas que enfeitam as ruas do Aparecida, a tradição se mantém. “Essas festas reúnem muitas pessoas, justamente por ser um bairro mais tradicional, mais antigo”, observa Evandro Costa. A Praça Salermo, antigo ponto de encontro de procissões em louvor a Nossa Senhora Aparecida, é atualmente o ponto de convergência para apresentações dos grupos de congado e maracatu. Manifestação de rua que louva Nossa Senhora do Rosário, o congado mineiro se iniciou com a chegada dos primeiros escravos africanos ao Brasil. A necessidade dos negros de louvar seus orixás e coroar seus reis e rainhas congos fez surgir um sincretismo que possibilitava a continuação de uma cultura e que resiste no Aparecida. “Acho importante manter a união da cultura com as pessoas do bairro. A comunidade participa bem e fica reunida”, ressalta Evandro. MERCADO Constituído basicamente por casas, o Aparecida não tem muitas opções de imóveis para venda ou aluguel. Mas as poucas opções são avaliadas em R$ 480 (dois quartos), segundo a Pesquisa do Mercado Imobiliário de Belo Horizonte, realizada em abril pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis (Ipead), vinculada à UFMG. Os valores foram obtidos de acordo com o mapa da classificação da renda em Belo Horizonte, que considera o Bairro Aparecida como de padrão popular. A classificação é obtida considerando-se a renda média mensal na região, que, neste caso, é inferior a cinco salários mínimos.

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