Brasileiros compram mansões e jatinhos pela internet

Brasileiros compram mansões e jatinhos pela internet

Investimento no e‐commerce pelo varejo de luxo passará dos atuais 43% para 63% em 2010
Letícia Casado, do R7 
Foto por Daia Oliver/R7
Renan Cardoso (no meio) com seus sócios do Black Card, Lucas Kalil (à direita) e João Paulo Bianchini (à esquerda)
Que o mercado de luxo no Brasil cresce a um dos maiores ritmos do mundo– só comparável com o da China e sua explosão de novos milionários – todos já sabiam. Mas a novidade é que os brasileiros estão comprando não apenas roupas, mas mansões e jatinhos, e tudo pela internet.  Quem tem bastante dinheiro no bolso pode aproveitar as facilidades da tecnologia, como um site especializado em intermediar a negociação de helicópteros, carros, aviões, motos, barcos e imóveis.  Em apenas duas semanas de funcionamento, o “Black Card” já vendeu um  jet boat e um barco, e tem helicópteros, aviões e carros em negociação. Eles colocam vendedor e comprador em contato e ficam com uma comissão. Criado no começo de novembro, o site receberá R$ 1 milhão em investimentos até junho de 2010. O dinheiro irá principalmente para marketing, segundo Renan Cardoso, um dos fundadores da empresa. – A gente teve uma surpresa nessas duas semanas, o número de visitações foi bem alto. A resposta foi positiva. Os visitantes da página ultrapassaram 300 mil em 15 dias. A empresa pretende faturar R$ 3 milhões em 2011, mas não divulgou as estimativas para 2010 “por ainda estar conhecendo o mercado”, disse Cardoso. Mas, no próximo ano, eles esperam vender 100 itens, índice considerado “razoável” devido ao valor de cada produto. O dólar fraco favorece as importações, por tornar os produtos mais baratos, quase “pechinchas”, para os milionários brasileiros. Luxo e internet O comércio de luxo eletrônico já havia chegado ao Brasil, mas ainda não com bens duráveis. Algumas lojas virtuais, como a nova-iorquina Sacks têm mais de 10.000 produtos de marcas como Yves Saint Laurent, Lancôme e Giorgio Armani. A Enoteca Fasano permite comprar vinhos importados e nacionais pela web, e oferece exclusividade de algumas vinícolas. Ferrari e Swarovski também negociam online seus produtos e entregam em todo o Brasil. A loja virtual inglesa Net-a-porter é uma das mais antigas e bem-sucedidas do mundo: faturou cerca de 55 milhões de libras em 2008, vendendo moda feminina.  Na página do Black Card os itens mais barato são os carros BMW, de R$ 150 mil. O mais caro é o avião Global 5000, que não sai por menos de R$ 54 milhões (U$ 31 milhões). Um dos apartamentos, localizado no Morumbi, tem 1.223 metros quadrados e custa R$ 10 milhões.  A MCF Consultoria fez um estudo e percebeu que o comércio eletrônico é mesmo uma tendência no mercado de luxo. O relatório da empresa diz que o “destaque para o próximo ano [2010] deve ficar por conta das vendas pela internet” e que o varejo de luxo ampliará os investimentos no e‐commerce, que passará de 43% para 63% do orçamento.  A pesquisa mostrou também que esses clientes vivem nas cidades de São Paulo (51%), Rio de Janeiro (15%), e Curitiba (5%). De acordo com a consultoria, o luxo no Brasil faturou R$ 10,9 bilhões (U$ 5,9 bilhões) em 2008, contando comércio físico e virtual. Esse número não pode ser somado ao do comércio eletrônico em geral, que também deve superar os R$ 10 bilhões neste ano – muitos itens, como um perfume Dior, por exemplo, são contabilizados nos dois cálculos, mas um automóvel só entra na conta de luxo. O investimento dos empresários foi de R$ 1,7 bilhão (U$ 950 milhões), equivalente a 16% do total. O dólar foi calculado em R$ 1,85, porque a cotação estava mais alta no ano passado.

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