Construção mais racional

Construção mais racional

  Joana Gontijo – Lugar Certo Com o novo momento de crescimento do setor, mecanização dos sistemas construtivos à base de cimento se torna necessidade para atender demanda e melhorar desempenho
ABCP/Divulgação
Uma das melhorias dos sistemas construtivos em cimento é a alvenaria estrutural em blocos de concreto, que alcança eficiência produtiva superior ao processo convencional, de alvenaria de vedação
Superada a crise, a construção civil vem assistindo a um crescimento exponencial da demanda no Brasil, incentivada, entre outros fatores, por maior oferta de crédito imobiliário, aquecimento das vendas, aumento do emprego formal, estabilidade macroecônomica, e ações mais diretas como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), as medidas para o setor habitacional com o Minha casa, Minha Vida, além das expectativas com a Copa do Mundo de 2014 e as Olímpiadas de 2016. Neste contexto, cresce a busca por projetos e processos racionalizados que garantam rapidez e funcionalidade às obras, que já provocam uma revolução no mercado de imóveis em Minas Gerais. As construtoras agora correm contra o tempo para atender os clientes e assegurar a expansão do negócio. Para se ter uma ideia, somente nos primeiros dois meses de 2010 foram vendidos 1.078 apartamentos em Belo Horizonte, um aumento de 11% em relação ao mesmo período no ano passado, de acordo com pesquisa realizada mensalmente pela Fundação IPEAD/UFMG e divulgada pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG). “Nos primeiros quatro meses de 2010 a construção gerou 166.112 vagas formais no país, frente às 43.677 vagas em igual período de 2009. Em Minas, esse número chegou a 20.643 novos postos entre janeiro e abril, superando o índice de 3.950 no ano passado. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foram geradas 9.148 vagas no setor no primeiro quadrimestre, contra 7.439 em iguais meses de 2009. A perspectiva de crescimento para a construção fica em torno de 9% a 10% do PIB para 2010, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas e o Banco Central, um nível superior ao incremento esperado para a economia nacional. É um recorde que chamamos de crescimento chinês. Isso chama por inovação e exige tecnologia”, pontua o economista do Sinduscon-MG, Daniel Furletti. Para se adequar a este novo momento, a Comunidade da Construção de Belo Horizonte – movimento liderado pela Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) em parceria com o Sinduscon-MG que engloba construtoras, fornecedores, arquitetos, projetistas e outras entidades envolvidas no segmento – vêm trabalhando para disseminar melhorias de desempenho dos sistemas construtivos à base de cimento, presentes em praticamente todos os empreendimentos, com o objetivo de otimizar os processos de construção para edificações em questões de rapidez, produtividade, praticidade, custo e qualidade, como ressalta o gerente regional da ABCP-MG, Lincoln Raydan. “Depois da abertura de capitais das empresas em 2007 e, falando de maneira mais geral, com o número de construções em escala crescente em um nível nunca visto – e ainda com potencial de crescimento muito grande frente ainda ao grande déficit habitacional no país -, aqueles que antes construíam sem pressa agora encontram na variável prazo um diferencial e uma necessidade nos empreendimentos. Saindo de processos artesanais para um patamar de mecanização e industrialização, você otimiza as construções em rapidez de execução, produtividade, custo, além de sair da dependência de uma capacitação refinada”, explica o gerente da ABCP. Leia mais: Construção civil cria 147,5 mil empregos no 1º trimestre Salário tem aumento IBGE: índice da construção civil sobe 0,37% em abril Dieese: construção civil criará 180 mil vagas em 2010 CNI: nível de atividade na construção sobe em março Construção terá IPI menor até dezembro Emprego na construção civil bate recorde em fevereiro CNI: cresce ritmo de atividade da construção civil Custo da construção civil sobe 0,45% em março Venda de material de construção sobe 12% em fevereiro Construção civil emprega 1,1 milhão em 2009 Construção civil será a maior vedete do emprego em 2010 Uma das vertentes da racionalização dos sistemas construtivos em cimento é a melhoria dos processos de revestimentos em argamassa, que agora se voltam à tendência de produzir as fachadas apenas com o material, sem uma segunda cobertura com cerâmica e granito, por exemplo, muito comum em Belo Horizonte. Largamente aplicada em outros estados brasileiros, a alternativa construtiva mecanizada vem nos chamados sistemas de ‘canequinha’ e bomba de projeção que, de maneira simplificada, englobam equipamentos que projetam a argamassa diretamente na parede sem a necessidade da mão de um executor para chapar a massa na fachada inteira, um meio extremamente artesanal, e ainda com economia de horas gastas com trabalho de mão-de-obra, como frisa Lincoln Raydan. “Uma das questões eliminadas com o revestimento apenas com a argamassa é o problema com patologias muito recorrentes na interface entre o reboco e outro revestimento, como a cerâmica e o granito. Algumas experiências bem-sucedidas de empresas referências em BH começam a puxar este mercado em Minas, como a torre do consórcio Alicerce-Castor-MASB no Santo Agostinho. Os ganhos vêm em rapidez construtiva, melhor custo e desempenho, sem esquecer da qualidade, com aplicações possíveis em grandes edificações”, compara.
Gladyston Rodrigues/EM/D.A.Press e ABCP/Divulgação
Lincoln Raydan, da ABCP, atenta para a necessidade de melhores produtividade, agilidade e custo das obras. Prédio em BH é exemplo da nova tendência de revestimento argamassado
MAIS EFICIÊNCIA Outra alternativa à alvenaria de vedação em um sistema semi-industrializado que alcança eficiência produtiva superior a este processo convencional é a alvenaria estrutural em blocos de concreto que, através de cálculos e um projeto precisos, consegue compor a modulação dos blocos que já vai paginando as paredes na medida que o prédio vai se erguendo, sem a necessidade de quebra-quebra. “A parede estrutural já é autoportante, não necessita de pilar, viga ou laje, e já vem com colunas embutidas para tubulações de água, esgoto e eletricidade. A construção já vai ficando pronta quando vai sendo erguida, reduzindo o tempo de execução. Enquanto no modo convencional se demora em média dois anos para construir um prédio de 20 andares, com a alvenaria estrutural isso cai quase pela metade, com uma economia de custo em torno de 15% a 20%”, ressalta Raydan. A Comunidade da Construção também trabalha para introduzir de forma mais sistêmica no Brasil um processo construtivo já largamente aplicado em países que sofrem com o risco de terremotos, devido à alta resistência. “Saindo do tradicional tijolo de cerâmica, as paredes de concreto moldadas in-loco garantem uma agilidade muito grande às obras. Enquanto se demora uma semana para bater uma laje, com este tipo de construção você constrói um andar novo a cada dois dias. Já testamos o sistemas em diferentes tipos de construção (casas, pequenos e grandes prédios), com resultados significativos em viabilidade técnica e econômica”, ressalta o gerente da ABCP. Para os sistemas convencionais em estruturas de concreto que se utilizam de vigas, pilares e lajes, outro objetivo do movimento é trabalhar a melhoria de desempenho considerando todas as etapas da cadeia construtiva. Para o vice-presidente da Área de Materiais, Tecnologia e Meio Ambiente do Sinduscon-MG, Geraldo Jardim Linhares Júnior, os sistemas construtivos mais eficientes devem ganhar espaço com a entrada em vigor das novas normas de desempenho das edificações estabelecidas pela ABNT. Enquanto construtor, tem grande atuação com os sistemas de alvenaria estrutural em blocos de concreto, e chama a atenção para a importância da disseminação das novas tecnologias para os derivados de cimento também entre as pequenas empresas. “De maneira geral, a otimização das obras é muito grande, como em questões de mão-de-obra e custos, citando apenas estes aspectos, mas ainda há necessidade de maior difusão destes sistemas para gerar multiplicadores. A tecnologia de racionalização construtiva tem que casar com custo para garantir competitividade aos empreendedores”, completa.

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