Corretor, porque se preparar?

Grande parte das vítimas de falsos corretores é atraída por faixas afixadas na rua, o que, inclusive, é proibido por lei. Então, só por aí já começou errado. É como diz Alcides Ramos, dono da imobiliária Setorial. “Há pessoas no mercado por necessidade e não por capacidade. Carecem de cursos preparatórios para exercer a profissão e acabam prestando um serviço de má qualidade. Corretor tem que ser tanto capacitado, quanto habilitado.” Para ele, o corretor ilegal prejudica o comprador, o vendedor e o próprio mercado. “Não tem os cuidados e o conhecimento que se exige de um profissional. E vale a pena aos interessados fazer o curso de técnico em transações imobiliárias. São 10 meses e, durante o curso, o aluno já pode atuar como estagiário. Depois, ao se filiar ao Conselho Regional de Corretores de Imóveis e passar a atuar legalmente, terá ganhos médios entre R$ 5 mil e R$ 6 mil”, orienta. Em Minas, o curso é realizado em algumas instituições cadastradas junto ao Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci). Mas o Sindicato dos Corretores de Imóveis do Estado de Minas Gerais (Sindimóveis/MG) oferece capacitação com aulas semipresenciais e com provas em Minas. Tudo com a chancela da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais. A formação nesses moldes facilitou muito para os interessados em cursar a especialização, já que, anteriormente, as provas eram realizadas fora do estado. Além de oferecer capacitação para atuação imobiliária, o curso proporciona mais duas certificações, a de assessor imobiliário e de avaliador imobiliário. Depois de concluí-lo e ser diplomado, é necessário efetuar o credenciamento junto ao Creci. Quem busca se graduar na área tem a opção do curso superior de tecnologia em gestão de negócios imobiliários da Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Belo Horizonte (Facisa). O curso, que tem duração de dois anos, propõe-se a qualificar seu participante a ser um gestor do ramo imobiliário, capacitando-o a analisar e a operar ambiente de negócios, bem como maximizar as oportunidades de investimento no setor. O profissional que se capacita nesse curso estará automaticamente habilitado a exercer a profissão, não necessitando realizar a prova do Creci. No segundo semestre, a Unatec, vinculada ao Centro Universitário UNA, também vai oferecer o curso. A mensalidade gira em torno de R$ 510. São 50 vagas e as aulas são à noite. REMUNERAÇÃO Outro ponto que gera muita indignação nos corretores filiados ao Creci se dá com relação à taxa de corretagem. Cabe ao Sindimóveis/MG determinar um percentual máximo no estado. Atualmente, é de 6% sobre o valor da transação. “O corretor pode cobrar menos, mas não mais que o estabelecido. E, em geral, os corretores ilegais, como forma de atrair os clientes, se propõem a receber uma comissão menor. Isso é ruim para o mercado formal, que cobra os 6%. Se alguma imobiliária cobrar menos, estará perdendo dinheiro”, enfatiza Paulo Tavares, presidente do Creci-MG. Na avaliação dele, que também é dono da Sotão Imóveis, não dá para cobrar menos. “Sobre esses 6% pagam-se 10% ao gerente, 10% ao captador, 20% ao corretor que efetuou a venda. É preciso ainda cobrir custos com anúncios, impressos e a estrutura da imobiliária”, defende. No caso dos alugueis, a taxa é de 10% sobre o valor da locação. “Um imóvel locado me custa R$ 55 por mês. Se um inquilino atrasa o pagamento do condomínio, temos que pagar. E depois acioná-lo na Justiça para receber. Não tem como ser menos que os 10%”, avalia. No entanto, ao se considerar um valor de locação de R$ 1 mil, que é comum atualmente em Belo Horizonte, a imobiliária ficaria com R$ 100. Nesse exemplo, um lucro líquido de R$ 45, ou 81% frente ao R$ 55 de custo. Uma margem dificilmente alcançada por muitos comerciantes e industriais. Na avaliação de Alcides, os 6% já são aceitos pelo mercado, estão consolidados e o cliente tem ciência dessa taxa. “Quem cobra menos é visto com maus olhos pela categoria e vai receber reclamações. Seja ele integrante ou não do Creci”, bserva.

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