Crescimento sustentável

Moldada pela Serra do Curral, Belo Horizonte foi uma das primeiras capitais planejadas do Brasil. O clima agradável e as ruas arborizadas já fizeram até com que a Organização das Nações Unidas (ONU) conferisse à cidade o título de metrópole com a melhor qualidade de vida da América Latina. Entretanto, a capital de Minas se expandiu e distanciou-se do conceito de planejamento defendido por Aarão Reis entre 1894 e 1897. As ruas cortadas por avenidas em diagonal, os quarteirões regulares e a Avenida do Contorno, que delimitava seu espaço quando foi idealizada, apontam hoje, 113 anos depois, questões a serem discutidas acerca de seu projeto arquitetônico. Quem opina sobre o assunto é o arquiteto Oscar Ferreira, para quem o plano de construção de BH agregava tradições urbanas europeias e americanas do século 19. Inspirado no modelo de cidades como Paris e Washington, o objetivo era criar uma das maiores cidades brasileiras do século. Porém, segundo ele, o projeto estava embasado em conceitos de sua época. Para tentar suportar o crescimento, foram adequados novos planos diretores e diretrizes, que acabaram por mudar o desenho da capital. “A última intervenção foi desastrosa em muitos aspectos”, diz, fazendo referência à Lei do Uso e Ocupação do Solo.
O arquiteto Oscar Ferreira diz que alterações trazem flexibilidade para a construção de hotéis
O arquiteto Oscar Ferreira diz que alterações trazem flexibilidade para a construção de hotéis
Oscar conta que o plano diretor sancionado em julho de 2010 propõe reduzir o adensamento urbano da cidade, visando a um crescimento demográfico planejado. “Mas, para isso, os andares dos prédios e o espaço para a construção de apartamentos ficarão menores, obrigando as construtoras a abrir mão da construção de varandas e áreas comuns mais generosas.” Outro ponto está relacionado à edificação de hotéis, que teve seu coeficiente alterado de um a três, para cinco. “Com a mudança, haverá mais espaço para construções de hotéis, o que pode entusiasmar os empreendedores”, observa Oscar, acrescentando que as alterações trazem flexibilidade para os novos empreendimentos. O vice-presidente das Incorporadoras da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), Evandro Negrão de Lima Júnior, concorda que a última Lei de Uso e Ocupação do Solo foi infeliz em alguns aspectos. “Primeiro, porque o poder público veio com um discurso de restringir o coeficiente de adensamento, de maneira a evitar o crescimento desordenado. Por outro lado, criou uma outorga onerosa, que permite construir mais. Ou seja, houve contradição no discurso.” Por: Júnia Leticia – Estado de Minas

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