Entre o gostar e o fazer

  Qual é o seu interesse? Do que você gosta nesta vida? O que te dá prazer em fazer? Quem consegue responder essas, aparentemente, simples perguntas eleva substancialmente suas chances de uma vida profissional realizada e bem-sucedida. O filósofo alemão Nietzsche (1844-1900) dizia que o trabalho que não é resultado da escolha pessoal, o trabalho sem alegria, torna as pessoas imbecis. E podemos acrescentar que também as torna profundamente infelizes. Mas não se trata apenas de uma questão de felicidade – como se isso fosse pouco – pois quem faz o que gosta, em geral, faz bem feito. E quem faz bem feito tende a ser reconhecido como bom profissional, o que resulta em ganhos financeiros mais elevados pelo seu trabalho. Esse argumento parece carregar uma irrebatível consistência lógica: não é possível ser bom profissional sem gostar do que faz. Ao trabalhar com o que tem vontade, desejo e prazer, o profissional se entrega a esse trabalho de corpo e alma, pois para ele isso não é um sacrifício e nem um sofrimento. Ele aprimorará continuamente o seu trabalho movido pelo seu prazer e não por pressões externas ou porque alguém mandou. A resposta para o seu sucesso profissional, portanto, não está no mercado de trabalho ou no que os departamentos de recursos humanos das empresas dizem que você tem que fazer. Essa resposta está dentro de você e só você pode encontrá-la, ninguém mais. Essa resposta é a sua vontade, o seu prazer, o que você deseja fazer. Pouco importa o que os outros pensem da sua escolha. Não há mercado de trabalho bom para maus profissionais e nem mercado de trabalho ruim para bons profissionais. É preciso muito cuidado, pois o que não faltam são consultores, gurus e picaretas recomendando exatamente o inverso: que você faça o que eles acham que você deve fazer. Fazer o que você não tem vontade de fazer – só porque os outros mandaram – é o ponto de partida para a sua desgraça, para uma vida infeliz de frustrações profissionais. “Não há mercado de trabalho bom para maus profissionais e nem mercado de trabalho ruim para bons profissionais” “Trabalhas sem alegria para um mundo caduco” (Carlos Drummond de Andrade). * Luiz Guilherme Brom é doutor em Ciências Sociais e superintendente institucional da FECAP (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado) (luizgbrom@fecap.br)

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