Estamos mais tolerantes ou mais omissos?

Destaque da Semana

texto de Selma Sueli

Nesta semana, várias notícias merecem destaque pelo absurdo dos fatos. Pela ordem: No início da semana, mais um envolvido nas mortes dos empresários Rayder Rodrigues e Fabiano Moura foi posto em liberdade. Depois da médica Gabriela Ferreira, foi a vez do pastor Sidney Benjamin ter a prisão aliviada. No mês passado, a justiça já havia liberado o advogado Luiz Astolfo. Na quinta-feira, no programa Chamada Geral, a irmã de Frederico Flores, Flávia Flores, relatou fatos que demonstram que o caso é muito mais complicado do que parece. E que a liberdade da médica Gabriela traz sérios riscos à sociedade. Ela quer justiça: o irmão deve pagar, com certeza, assim como todos os outros envolvidos nos bárbaros assassinatos. Em São Paulo, o Detran estadual apreendeu um carro que tem multas no valor de 1 milhão e 300 mil reais. O veículo, que recebeu 573 autuações em estradas e ruas da Grande São Paulo, era dirigido por um policial civil. Esse policial disse que o carro é do irmão dele, mas, segundo a corregedoria, o automóvel está em nome de uma empresa. Em Pinheiro, no Maranhão, um pescador de 54 anos foi preso em flagrante, porque manteve a filha, de 28 anos, em cárcere privado desde 1998, submetendo-a a contínuos estupros, o que resultou em sete filhos com ela. Ele foi denunciado por vizinhos quando violentou uma das filhas-netas, de aproximadamente 6 anos. Já no Rio de Janeiro, uma menina de 4 anos foi encontrada trancada em casa com sinais de espancamento em várias partes do corpo. Duas vizinhas acharam a criança em um quarto escuro. O pai, que não vive mais com a mãe da garotinha, já havia denunciado a mulher por maus-tratos. Quatro casos e várias constatações: É preciso repensar a forma como organizamos nossa sociedade. Nos crimes destacados, identificamos criminosos com idades de 25 a 54 anos, pobres e ricos. A maldade, democraticamente, se espalhou, o que nos leva à pergunta: estamos mais tolerantes ou mais omissos? Se por um lado, a forma como a sociedade atual está estruturada incentiva o individualismo, facilitando que cada família cuide de si mesma para o bem ou para o mal, a atuação do poder constituído peca na formulação de leis permeadas por brechas que atendem a interesses escusos e peca, mais ainda, na aplicação do que resta de sério e justo nestas mesmas leis. O resultado? A impunidade – que soa como convite ao crime… Na contramão dessa desmoralização, em cada um desses quatro crimes bárbaros, o cidadão fez a diferença: No crime da degola, um dos envolvidos, com medo de morrer, fez revelações que levaram aos criminosos e, agora, a irmã de Frederico Flores vem a público, através da Itatiaia, com mais denúncias sobre o caso. No episódio de São Paulo, envolvendo um policial, foi necessário que o lado da polícia que trabalha bem, não temesse e denunciasse o lado que pratica o mal. No Maranhão e no Rio de Janeiro, vizinhos e conhecidos resolveram dar um basta ao sofrimento que acontecia ao lado, sob o silêncio conivente de todos. É isto: Não podemos deixar de acreditar – se há entre nós, pessoas que não valem o sal que comem, como bem diz a sabedoria popular, há, também, rostos anônimos, corações que não se identificam pelo número do CPF mas sim pelo poder que tem de amar e de se indignar. E, movidos pelo sentimento de indignação se fazem sensíveis e solidários, partem para a ação, o que resulta em justiça, ainda que quase tardia… Não podemos ser cúmplices do mal porque tememos nos envolver. Há meios – e meios sérios, que nos resguardam e guardam milhares de corações aflitos: Um dos grandes instrumentos colocados à disposição da sociedade, para esses e outros casos, é o Disque Denúncia, o Disque 181. Se você, cidadão ou cidadã tem conhecimento de algum crime, abuso ou delito, denuncie. Diga não ao individualismo e acredite: ainda existem muitas pessoas de bem esperando somente uma oportunidade para agir. Com passos assim, pequenos mas seguros, é que vamos transformar a vida à nossa volta. Com gestos assim, conscientes e decididos, é que vamos construir um mundo melhor.

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