Fila empaca em Belo Horizonte

Capital não tem nenhum projeto aprovado para a faixa mais baixa de renda, como prevê o programa Minha Casa, Minha Vida. Custos altos travam construções
Jorge Gontijo/EM/D.A Press
André Campos optou por construir em Contagem, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em BH é inviável
Sinal amarelo para o programa Minha casa, minha vida, que ajudou a aquecer o mercado imobiliário nos últimos meses. O programa do governo federal esbarra hoje em obstáculos que preocupam as construtoras: a escassez e escalada de preços de terrenos, a alta dos insumos da construção civil e a falta de reajuste do valor máximo dos imóveis a serem financiados. Em Belo Horizonte e região metropolitana, a construção de moradias tem como maior barreira o valor autorizado pelo governo para a construção dos apartamentos: R$ 46 mil. Segundo as construtoras, é impossível viabilizar as obras sem que os valores fiquem próximos dos desembolsos autorizados para o Rio de Janeiro e São Paulo, de R$ 51 mil e R$ 52 mil, respectivamente. O resultado de todos esses entraves é que a fila de espera das famílias com renda de até três salários mínimos (R$ 1,5 mil) que se inscreveram no programa e dependem do subsídio maior do governo para ter acesso à casa própria ainda está parada em Belo Horizonte. Na capital, nenhum projeto foi aprovado pela Caixa Econômica Federal. O banco ainda não sabe se vai divulgar novos números do programa até as eleições, pois avalia se o balanço pode ser usado como forma de propaganda eleitoral. A escassez de oferta de casas dentro do programa ocorre não só com projetos voltados para as famílias com renda mais baixa. As unidades destinadas àquelas com rendimento de quatro a 10 salários mínimos (R$ 2,040 a R$ 5,1 mil), compradas diretamente nas construtoras, também estão escassas em Belo Horizonte. E levam consumidores a trocar a moradia na capital pela região metropolitana. “Muita gente passou a se deslocar para Contagem, onde a oferta está maior. E isso é uma preocupação para a prefeitura, pois essa faixa da população demanda serviços públicos, como saúde e educação. E não estamos preparados para atender a esse aumento de demanda”, afirma a prefeita de Contagem, Marília Campos. Leia a continuação desta matéria Obras vão para cidades vizinhas MUDANÇAS O ministro das Cidades, Marcio Fortes, afirmou que em 2011 o programa vai passar por mudanças que vão torná-lo mais ágil. Os reajustes para o programa estão em estudo e terão que ser aprovados no Congresso. Mas as alterações só vão valer no ano que vem. Até junho, o número de contratações pelo Minha casa, minha vida foi de 501.636 unidades habitacionais. Leia mais: “Minha casa, minha vida” longe de cumprir meta Nova fase do “Minha Casa, Minha Vida” terá 3 milhões de unidades Minha Casa, Minha Vida tem 330 mil contratos “Minha casa, minha vida” ainda não entregou imóvel para baixa renda em BH O novo show do milhão “Minha casa, minha vida” longe de cumprir meta Usiminas assina convênio para participar do ‘Minha Casa’ Nova fase do “Minha Casa, Minha Vida” terá 3 milhões de unidades Minha Casa, Minha Vida tem 330 mil contratos CBIC: governo deve lançar ‘Minha Casa, Minha Vida 2’ A vez da baixa renda Medidas do governo animam setor A chave da casa é delas BH sem casa para quem ganha até 3 mínimos Reflexo positivo Combate ao déficit habitacional Direito à moradia A construtora mineira Modelo, especializada em imóveis para a baixa renda, está com cerca de 5,5 mil unidades em fase final de aprovação de projetos dentro do programa na Caixa. As unidades são para os estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Em Minas Gerais, nenhum projeto foi aprovado. “O valor autorizado para a construção de moradias na capital é impraticável. O custo da construção vem crescendo muito. Não dá para fechar a conta. Nem mesmo se a prefeitura doar terrenos há viabilidade econômica para as obras”, afirma Fábio Nogueira, diretor da Modelo. O empresário ressalta que a topografia de Belo Horizonte é desfavorável para o aproveitamento de terrenos. “Aqui não é plano, gastamos mais para construir. E os terrenos estão com preços muito elevados. Pagamos hoje mais de três vezes o valor que era praticado há um ano”, observa Nogueira. MUROS ERGUIDOS Entraves para o programa em Belo Horizonte – Escassez e escalada de preços de terrenos nos últimos dois anos – Baixo valor autorizado pelo governo para a construção dos apartamentos na capital e região metropolitana: R$ 46 mil. As construtoras pediram ao governo que esse montante ficasse próximos dos desembolsos autorizados para o Rio de Janeiro e São Paulo, de R$ 51 mil e R$ 52 mil, respectivamente – Alta do preço dos insumos da construção civil – Valor máximo dos imóveis que podem ser financiados pelo programa ainda não foi reajustado – Boom imobiliário, que levou à escassez da oferta de unidades para a venda Fonte: construtoras

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