Horta em casa

Horta em casa

  Júnia Leticia – Estado de Minas A prática de colocar na mesa verduras e legumes frescos tem levado muitas pessoas a criar espaços, mesmo em apartamentos, para ter acesso a esse tipo de alimentação
Paisagismo Avançado/Divulgação
“Há também o prazer em ver crescer, colher e saborear um alimento cultivado por nós mesmos e os benefícios econômicos” – Caio Zoza, paisagista
O primeiro passo para quem já está pensando em ter uma horta em casa, mas não sabe por onde começar, é definir o espaço em que ela será implantada. O local também deverá ter luminosidade adequada e um ponto de água próximo. É importante definir, ainda, a quantidade e a diversidade de espécies a serem cultivadas. As dicas são do paisagista, ambientalista e membro da American Horticultural Therapy Association (AHTA), Caio Zoza, que além da melhoria da qualidade de vida possibilitada pela ingestão de alimentos cultivados no seu tempo certo e livres de agrotóxicos destaca o prazer de saborear verduras e legumes orgânicos. “Há também o prazer em ver crescer, colher e saborear um alimento cultivado por nós mesmo e benefícios econômicos”, observa. Veja mais fotos de hortas domésticas Além disso, ele destaca os benefícios para a mente, o corpo e o espírito, que foram comprovados depois de décadas de estudo na Europa e nos Estados Unidos. “A partir daí, instituiu-se a garden therapy (hortoterapia, em português), que é uma grande aliada dos profissionais de saúde na reabilitação parcial de pacientes com depressão, Alzheimer, entre outras”. Seja por prazer ou necessidade, Caio Zoza conta que um dos segredos para se ter hortaliças saudáveis é colocá-las em um local que receba, no mínimo, quatro horas de luz solar. Definidas as espécies que serão plantadas, é preciso calcular a quantidade de canteiros e/ou contêineres (vasos, caixas etc.) a serem dispostos. “Vale salientar que a produção de hortaliças como alface, rúcula, almeirão e mostarda é rápida, não devendo, assim, ser plantadas em quantidade além do necessário para consumo da família”. A professora de paisagismo nos cursos de arquitetura e urbanismo e design de interiores da Universidade Fumec, Virgínia Caetano, acrescenta que é imprescindível que o local escolhido para fazer a horta seja plano e não corra o risco de ser inundado. “Também deve ficar protegido de ventos fortes, não deve ficar muito próximo a muros que recebem sol e que, portanto, irradiam muito calor sobre as hortaliças. A distância segura da horta até o muro deve ser de quatro a cinco metros”. Segundo Virgínia Caetano, essas condições valem tanto para hortas no solo, em um quintal ou jardim, como para jardineiras e vasos nos apartamentos. “No caso de hortas de solo, antes de delimitar os canteiros deve-se limpar muito bem a terra, livrando-a dos matinhos com suas raízes, dos torrões de terra muito dura e das pedras. Depois, é preciso medir o pH com auxílio de um peagâmetro e, se for o caso, corrigi-lo com a aplicação de calcário dolomítico ou cítico”. A professora conta que os dois tipos de calcário devem ser usados intercaladamente, ao longo do ano, sempre que se verificar acidez no solo. Feito isso, pode-se iniciar a demarcação dos canteiros. “Se a horta for grande, a delimitação pode ser feita com estacas e cordões, ou arames presos nos quatro cantos. A largura dos canteiros não deve ultrapassar 1,20m e o caminho entre eles deve ter em torno de 40cm”. ADUBO
Eduardo Almeida/RA Studio
Por ser muito delicado e rasteiro, o morango precisa de atenção especial. Já a alface exige cuidado frequente e deve ser cultivada em pequenas quantidades
Por fim, a professora Virgínia Caetano diz que é só revolver bem a terra e adubá-la com esterco de curral bem curtido, na proporção de uma parte de esterco para três de terra. “Assim, o canteiro vai ficar cerca de 10cm mais alto que os caminhos à sua volta. Uma boa dica é subir os limites dos canteiros com alvenaria de tijolos, garrafas descartáveis cheias de areia ou até plantar dentro de pneus velhos empilhados”. De acordo com ela, a horta mais alta, com cerca de 80 a 90cm de altura, evita esforços que físicos que podem provocar dores musculares. “Esses limites também ajudam a reter o esterco, evitando que ele seja levado pela água da rega ou das chuvas”, acrescenta Virgínia Caetano. Para as hortas de jardineiras ou vasos, a professora diz que em primeiro lugar é necessário cuidar da drenagem. “Tanto as jardineiras quanto os vasos devem ter furos suficientes para que o excesso de água escorra naturalmente. Depois, é preciso colocar uma camada de material drenante, como argila expandida, caquinhos de tijolo ou telha, cobertos por uma manta de geotêxtil”. O próximo passo é encher os recipientes com terra vegetal levemente compactada e completar com uma mistura de terra vegetal e esterco curtido, na proporção de duas partes de terra para uma parte de esterco, conforme Virgínia Caetano. “Existem no mercado bons substratos prontos, próprios para plantio de hortaliças. É preciso deixar todo esse enchimento 2cm abaixo da borda, evitando que a terra transborde com a chuva”. Myspace Glowing text

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Fale com a gente