Imóveis em BH são mais rentáveis do que Bolsa

Setor imobiliário mineiro oferece retorno maior do que aplicações financeiras
Do Hoje em Dia
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Imóveis em Belo Horizonte (MG) estão valorizados
Já foi o tempo em que investir em imóveis era coisa só para os muito conservadores, que temiam perder o patrimônio conquistado ao aplicar suas economias em opções mais arriscadas. Pelo menos na capital mineira, quem preferiu navegar nas águas tranquilas do setor imobiliário a surfar nas ondas dos mercados financeiro e de capitais saiu ganhando, e muito, em relação à maior parte das aplicações nos últimos anos.  Investimentos em unidades de padrão popular foram os mais rentáveis, aponta estudo realizado pelo Laboratório de Mercado de Capitais do Ibmec Minas Gerais. Superaram outros padrões de imóveis, CDI (Certificado de Depósito Interbancário), dólar e poupança. Bateram até o Ibovespa, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, e só ficaram atrás do IBX, seleta carteira de 50 ações. E, ao que tudo indica, ainda vão garantir muitos ganhos. Na linha de frente da rentabilidade despontam os apartamentos populares de três quartos, com valorização de 296,56% entre 1998 e 2008, período considerado no estudo. Isso significa que o investidor que pagou R$ 100 mil por uma unidade dessa categoria teve rendimento de R$ 296.560 no intervalo de tempo analisado, explica Raphael Chaves de Araújo, um dos seis integrantes do grupo que realizou a pesquisa. Coordenado pelo professor Eduardo Senra Coutinho, o levantamento considerou quatro categorias de imóveis – popular, médio, alto e luxo – e comparou seu rendimento com os obtidos nas principais aplicações de renda fixa e variável do mercado.  Na outra ponta, os apartamentos luxuosos, restritos a pequena parcela da população, tiveram menor índice de valorização no período. O quatro quartos da categoria rendeu 95,56%. Mesmo assim, a valorização supera de longe a poupança (20,85%) e o dólar, na lanterna, com variação negativa (- 41,13%). Na avaliação do presidente da Câmara do Mercado Imobiliário, Ariano Cavalcanti de Paula, a valorização mais intensa de imóveis populares reflete a forte procura no segmento. – Sempre houve mais gente em busca de unidades de baixa renda. Também a liquidez – facilidade de transformar um ativo em dinheiro – dessa categoria de imóveis é maior , diz ele. A baixa possibilidade de o negócio fracassar torna os imóveis ainda mais atrativos. Segundo o o diretor da Garcia Construções, João Henrique Garcia, que atua principalmente na Região Sul e bairros próximos, mesmo depois de setembro de 2008, quando a crise financeira internacional se acirrou, o setor se manteve firme. A valorização média de novos e usados foi de 30%, contabiliza.  – Praticamente não existe risco. O estudo do Ibmec confirma que o desvio padrão – medida de risco – do investimento imobiliário é baixo em relação a outros itens usados na comparação. Na carteira Ibovespa, foi de 44,15% no período estudado. O da carteira IBX atingiu 40,51%, e o dólar comercial para venda, 19,88%. Entre os imóveis, a vantagem ficou novamente para os populares de dois e três quartos (8,6%). No padrão médio, o risco do apartamento de dois quartos ficou em 10,47% e o de três quartos em 11,87%. O desvio padrão para imóveis de luxo chegou a 23,7%, para unidades de dois e três quartos, e 10,4%, para quatro quartos. Já a poupança, aplicação garantida pelo governo federal e com alta liquidez, apresentou a menor taxa de risco entre todas as aplicações avaliadas, de 2,17%, seguida pelo CDI (3,10%) e Selic (3,17%).

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