Morar bem é…

 

Eduardo Almeida/RA Studio

Emílio Delpino* Muito se diz sobre as angústias do homem contemporâneo. Vários são os estudos e especulações sobre o assunto. A busca por um abrigo – característica da espécie humana desde o surgimento dos primeiros grupos – tomou contornos mais requintados com o desenvolvimento das artes decorativas e outros fatores subjetivos. O que antes era algo funcional tornou-se símbolo de status, poder e influência em todas as classes e sociedades. Não cabem aqui confabulações antropológicas. Quando se fala em morar bem, entra-se no campo da subjetividade, das preferências individuais e das opiniões pessoais. Existem aqueles que se sentem bem em qualquer local ou em lugares onde, para outras pessoas, seria impraticável viver. Exemplo são os sambas que exaltam as belezas e alegrias de viver nas favelas do Rio de Janeiro. O gosto por uma ou outra região, um ou outro estilo arquitetônico e até mesmo um ou outro tipo de imóvel pode ser o indicativo da heterogeneidade da matéria. Muitos não têm tempo ou interesse no tema, tornando necessário ajuda na determinação de algumas diretrizes para encontrar e montar o espaço ideal para si. Mesmo para os mais familiarizados com o assunto, o auxílio de alguém da área é importante e, pode-se dizer, até muito bem-vindo, uma vez que a abordagem será extremamente proveitosa com o total envolvimento do cliente. Para tal, existem os mais diversos profissionais, visando a propor desde a localização, passando pelo estilo e características funcionais dos imóveis, até o mobiliário. O perigo é se entregar cegamente às tendências e modismos, fazendo com que o espaço seja uma verdadeira peça cenográfica, impessoal e fria, que se desatualiza na velocidade das coleções de moda e, certamente, não atenderá ao usuário por mais de um curto período de tempo. Todos temos uma bagagem cultural, familiar, afetiva, que deve ser considerada quando se realiza um trabalho dessa natureza. Nossos desejos e demandas, que se originam em sua maioria em nossa história pessoal, não devem ser ignorados ou descartados em favor de tendências do último Salão de Milão ou Nova York. Temos sorte de dispor de um povo criativo e inovador, o que se reflete e se amplia quando tomamos as áreas de arquitetura e design brasileiro como parâmetro. É claro que sempre haverá os maus profissionais e os que caem de paraquedas, devido às circuntâncias e oportunidades. Mas, via de regra, estamos bem servidos. O bom profissional prima por conhecer seu cliente, projetando o ambiente para atendê-lo em todas, ou quase todas, as ocasiões possíveis. Morar bem é, portanto, antes de mais nada, dispor de um ambiente coerente, alinhado com nossos valores culturais, familiares e, por que não dizer, morais. O endereço é um detalhe, de importância questionável, sendo mais importante o bem-estar do seu usuário. A nossa casa interna é bem mais ampla que a externa e talvez arquitetar, decorar, construir a nossa estrutura subjetiva de uma maneira saudável seja algo muito mais importante, pois não há nada que se compare à sensação de bem-estar com nossos filhos, pais, amigos e a sociedade em geral. É a felicidade (ou sua simples possibilidade) o que realmente conta em última instância.

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