O desabafo de um professor!

Este texto é atribuído ao Professor Naylor Marques. A sugestão é do  Robert (…) Como professor, vejo que, às vezes, sou alguém que trabalhou para construir os outros e não vê resultado muito claro daquilo que faz. Tenho a impressão que ensino no vazio (e sei que não estou só nesse sentimento) porque, depois de formados, meus ex-alunos parecem que se acostumam rapidamente com aquele mundo de iniqüidades que combatíamos juntos. (…) Digo isso, até em tom de desabafo, porque vejo que cada dia mais meus alunos se gabam de desonestidades. Os que passam os outros para trás são heróis e os que protestam são otários, idiotas ou excluídos, é uma total inversão dos valores. (…) A pergunta é: É possível, pela lógica, que todo mundo ganhe? Para alguém ganhar é óbvio que alguém tem de perder. A lógica, então, é: . Guardar o troco a mais recebido no caixa do supermercado . Enrolar a aula fingindo que a matéria está sendo dada . Fingir que a apostila está aberta na matéria dada, mas usá-la como apoio enquanto se joga forca, batalha naval ou jogo da velha . Dizer que leu o livro, quando ficou só no resumo ou na conversa com quem leu . Cortar a fila do cinema ou da entrada do show . Marcar só o gabarito na prova em branco, copiado do vizinho, alegando que fez as contas de cabeça . Comprar na feira uma dúzia de quinze laranjas . Brigar para baixar o preço mínimo das refeições nos restaurantes universitários, para sobrar mais dinheiro para a cerveja da tarde . Bater num carro parado e sair rápido antes que alguém perceba . Arrancar as páginas ou escrever nos livros das bibliotecas públicas . Arrancar placas de trânsito e colocá-las de enfeite no quarto . Fraudar propaganda política mostrando realizações que nunca foram feitas . Trocar o voto por empregos, pares de sapato ou cestas básicas É a lógica da perpetuação da burrice… E não adianta pensar que logo bateremos no fundo do poço, porque o poço não tem fundo. Quando um país perde, todo mundo perde! Parafraseando Schopenhauer: “Não há nada tão desgraçado na vida da gente que ainda não possa ficar pior”. Se os desonestos brasileiros voassem, nós nunca veríamos o sol. Felizmente há os descontentes, os lutadores, os sonhadores, os que querem manter o sol aceso, brilhando e no alto. No entanto, de nada adianta o conhecimento sem o caráter. A luz é, e sempre foi, a metáfora da inteligência. Que nas escolas seja tão importante ensinar Literatura, Matemática ou História quanto decência, senso de coletividade, coleguismo e respeito por si e pelos outros. Acho que o mundo (e, sobretudo, o Brasil) precisa mais de gente honesta do que de literatos, historiadores ou matemáticos. Ou o Brasil encontra e defende esses valores e abomina Zecas, Gérsons, Dirceus, Dudas e todos os marketeiros que chamam desonestidades flagrantes de espertezas técnicas, ou o Brasil passa de país do futuro para país do só furo. De um Presidente da República espera-se mais do que choro e condecoração a garis honestos, espera-se honestidade em forma de trabalho e transparência. De professores, espera-se mais que discurso de bons modos, espera-se que mereçam o salário que ganham (pouco ou muito) agindo como quem é honesto. Quem plantar joio, jamais colherá trigo. A honestidade não precisa de propaganda, nem de homenagens, precisa de exemplos. Myspace comment generator

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