O que você faz com seus tijolos?

 

texto de Alexandre Pelegi

 

O Brasil é um país de contrastes… Frase que, convenhamos, chafurda no óbvio. Afinal, estranho seria se fôssemos um país SEM contrastes…

É do ser humano portar similaridades que o diferenciam dos demais. Somos, cada qual, de um jeito – sotaques diferentes, cabelos e rostos desiguais, gostos e paixões distintas. Mas o que encafifa é perceber as incoerências que todos carregamos na vida diária. Reparamos nos defeitos alheios, até como forma de nos perceber tão estúpidos quanto aqueles a quem nos identificamos e, muitas vezes, levianamente condenamos. Macaco que senta no próprio rabo…

Os contrastes estão em nossa personalidade. Muitas vezes cobramos do outro comportamentos que jamais tivemos, níveis de consciência que jamais exercitamos, posições que dificilmente assumimos no dia-a-dia. Somos um povo craque no discurso, mas na prática ficamos reduzidos a cabeças-de-bagre… Lembra do Sebastião Lazaroni, aquele técnico da seleção canarinho que falava rebuscado, dava aulas de teoria futebolística, mas não conseguia uma vitória de respeito? Pois é, homem de discurso…

Somos o país do blá-blá-blá, de gente que condena o empreguismo na máquina pública, mas que não acharia nem um pouco ruim se aquele deputado amigo arrumasse uma colocação pra nosso filho recém-formado. Gente que condena sempre o lado ruim das coisas somente quando não aufere nenhum benefício…

Somos o país do contraste, o país do blá-blá-blá, mas somos também o país dos que acreditam. Aconteça o que for, e haja o que houver, tem sempre muita gente esperando pelo melhor, por piores que sejam as previsões e as estimativas dos especialistas.

Mas tais pessoas não aparecem. Elas não fazem barulho, não incomodam com cenas de mau-humor. Estão sempre carregando seus fardos, sabendo que lá na frente, não importa onde, nem quando, estão as respostas para muitas de nossas perguntas. País de contrastes, temos gente que faz, mas temos quem desfaz; gente que constrói, ao lado de muita gente que destrói; gente que sugere, ao lado de gente que só digere… Gente que estuda, ao invés de gente que só adivinha.

E apesar disso tudo, e também por causa de tudo isso, fazemos um país. Uns mais, outros menos. Mas todos o fazemos: alguns construindo, outros desmanchando o que muitos fizeram.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Cadastre-se e receba mais informações sobre o lançamento!!

 

 

Fale com a gente