Para não perder a oportunidade

 

Denise Menezes

 

Informação é essencial para o sucesso do negócio. Para isso, investidor deve pesquisar bastante, consultar especialistas da área e evitar tomar decisões no calor da emoção

Eduardo Almeida/RA Studio

Haldane Teixeira, diz que mercado oferece diversas opções, cabendo ao consumidor escolher a que melhor lhe convém

Não existem limites de recursos para quem quer investir no mercado imobiliário. De acordo com Haldane Teixeira, presidente da Rede Morar, empresa do grupo Brasil Brokers, um dos maiores intermediadores de negócios imobiliários da América Latina, há no mercado uma grande variadade de opções: aplicações financeiras cujo lastro é um ativo real – o imóvel – e o investimento em bens dos diversos segmentos – residencial, comercial, industrial – e dos vários padrões construtivos, do luxo ao popular, que demandam montantes também variáveis de investimento.

“O retorno da aplicação em imóveis não depende apenas do montante gasto. No Brasil, por exemplo, a maior demanda se concentra na baixa renda, ou seja, por imóveis de preços mais baixos”, concorda o vice-presidente do Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças (Ibef), Luiz Calado. Para ele, um negócio imobiliário bem-sucedido requer conhecimento do mercado e planejamento de ações.

Uma das primeiras definições do candidato a investidor é escolher, com método, em que tipo de imóvel vai aplicar os seus recursos. “O investidor deve pesquisar muito antes de fazer essa definição. Precisa ler jornais, revistas e livros, consultar corretores e ouvir outros investidores e proprietários. Cada segmento imobiliário tem características próprias e nunca conheci um investidor que dominasse todos os mercados – comercial, industrial, hotelaria e residencial. Portanto, o ideal é se concentrar em um desses mercados e não se aventurar em todos”, aconselha Calado.

Para Ariano Cavalcanti, a melhor escolha vai depender da análise do montante de capital disponível para o investimento e do perfil do investidor. “Quem tem para investir até R$ 100 mil pode optar por uma unidade residencial de padrão econômico, com ótima rentabilidade no aluguel. Já o segmento comercial, geralmente, exige um investimento maior. Mas, em Belo Horizonte, as salas, que já foram o mico do mercado, com uma superoferta, hoje podem ser uma boa opção para quem não dispõe de muitos recursos, com preços bem razoáveis e demanda significativa. O que noto é que o investidor mais conservador tem preferência pelo mercado residencial e o mais ousado, que admite alguma oscilação, escolhe o comercial”, diz.

DISPONIBILIDADE FINANCEIRA

Sérgio Bontempo, diretor da Rede Netimóveis e da Bontempo Imóveis, considera que o montante de recursos disponíveis para o investimento é um dos principais fatores que pesam na definição. “Ele tem de pensar na sua capacidade de investimento. Com um capital pequeno, pode começar com um imóvel menor em um bairro distante, que costuma proporcionar uma rentabilidade maior que a da poupança. No caso de unidades comerciais, o investidor precisa observar o comércio da região e também o trânsito da via onde a unidade pretendida está situada, tendo em vista que nos deparamos, frequentemente, com excelentes lojas fechadas devido à falta de vagas de estacionamento na via ou no próprio imóvel. Com relação ao investimentos em flats e apart-hotéis, o consumidor deve ficar atento ao índice de retorno oferecido pela empresa administradora do pool, pois esse rendimento pode variar muito em função da taxa de ocupação do hotel, sendo certo que, nos últimos anos, o retorno tem sido muito bom, diferentemente do que ocorreu tempos atrás”, orienta.

Em linha de raciocínio semelhante, Haldane Teixeira alerta que, antes de fechar um negócio, o investidor precisa ter em mãos um estudo detalhado, com informações sobre o imóvel (documentação legal da unidade e dos proprietários, estado de conservação etc.), a região onde está localizado, a demanda e oferta para esse tipo de produto e os custos do investimento, entre outras.

O vice-presidente do Ibef também recomenda que o investidor recorra a um especialista, mas faz uma ressalva: “O corretor deve estar ao lado do investidor. Ele conhece bem o mercado, sabe que tipo de imóvel está em falta e qual já se valorizou demais, informações valiosas para o investidor. Mas não podemos perder de vista que o objetivo do corretor é vender. Portanto, é preciso ter cuidado com um discurso muito otimista desse profissional”, frisa.

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