Região Centro – Sul

1. ORIGEM: A história da região Centro – Sul se confunde com a do Arraial do Curral Del Rei. Muito de sua pré-história foi retratada pela Comissão Construtora da Nova Capital – CCNC. Essa Comissão, nomeada em 1894, tinha o encargo de planejar e erguer a nova capital do Estado de Minas Gerais na localidade denominada Arraial do Curral Del Rei. A preocupação em documentar o pequeno povoado, tinha o intuito de demonstrar o tamanho da empreitada a ser executada pela CCNC. Parcela significativa dessa documentação fotográfica está guardada no Museu Histórico Abílio Barreto. A antiga sede desse museu, situada também na região, no bairro Cidade Jardim, é uma das últimas construções remanescentes da arquitetura curralense. Trata-se da antiga sede da Fazenda do Leitão, construída em 1883. Outro ponto simbólico da região que merece destaque é a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem. Essa Catedral, em estilo neo-gótico, foi construída em 1932, no mesmo local da antiga igreja do arraial, cujo nome era o mesmo. Sob protestos de antigos moradores e da própria Igreja, a pequena igreja foi demolida aos poucos, simultaneamente à construção da nova catedral. Simbolizando o estilo construtivo da região central, deparamo-nos com o ecletismo dos prédios oficiais, que era um contraponto ao barroco colonial de Ouro Preto, antiga capital, considerada inadequada como sede dos poderes estaduais. De acordo com os mudancistas, a topografia da cidade de Ouro Preto, encravada entre serras, era um empecilho ao seu crescimento. A nova capital deveria ser um lugar amplo, com vias largas e retas. Pautando-se nessa idéia, foi projetada a cidade, dividida em três zonas: urbana, suburbana e rural. A zona urbana da cidade era circundada pela Avenida do Contorno e, em sua extensão foram construídas a sede do governo estadual, as secretarias e até moradias de secretários de Estado e demais funcionários estaduais. A zona suburbana foi criada para abrigar sítios e chácaras. A região Centro – Sul atual abrange toda a extensão do que foi a zona urbana, contendo, ainda a parte sul da região suburbana e uma faixa da zona rural. Outro importante marco da região é o Parque Municipal Américo Renée Giannetti, inaugurado antes da própria capital, em setembro de 1897, com o triplo da área que hoje ocupa. Ele era refúgio da elite belorizontina para os momentos de lazer. Suas vias tortuosas, marcadas pelo estilo inglês de arquitetura, eram um contraponto ao estilo francês do tabuleiro de xadrez da cidade. Outra referência simbólica da região era o chamado Bar do Ponto, localizado na esquina da Avenida Afonso Pena com Rua da Bahia, em frente ao famoso e imponente prédio dos Correios, uma das mais bonitas construções de época, demolido precocemente para construção do Edifício Sulacap. Muito da arquitetura dessa região Centro – Sul, que hoje conhecemos, começou a ser esboçada na década de 1940. Prédios do início do século foram substituídos por verdadeiros espigões, comprovando a excepcional rapidez com que Belo Horizonte se verticalizou. Neste sentido, a região Centro – Sul da capital belorizontina guarda dentro de si, paradoxalmente, a histórica Cidade de Minas e a metrópole do século XXI, impondo-se no cenário nacional como um centro agregador de serviços, comércio e cultura. A região Centro – Sul está localizada na bacia do ribeirão Arrudas e seus principais afluentes são o córrego do Leitão e o córrego da Serra. Possui uma variação altimétrica que vai de 1.151 metros na serra do Curral decrescendo para 650 metros em direção à região central. Situa-se na depressão de Belo Horizonte, formada por rochas graníticas de embasamento cristalino, e mais a noroeste por filitos e quartizitos do quadrilátero ferrífero. Possui 120 praças e 9 parques abertos à visitação pública, destacando-se dentre eles o Parque Municipal Américo Renée Giannetti, que possui uma área de 180.000 metros quadrados, com flora bastante diversificada, incluindo plantas nativas e exóticas implantadas na época de sua criação, tais como pau-brasil, castanheiras e palmeiras, e o Parque Municipal das Mangabeiras, projetado por Roberto Burle Marx, que possui a maior área verde da capital, correspondente a 2,3 milhões de metros quadrados, com espécies típicas de cerrado e da mata atlântica, tais como sucupiras, aroeiras, candeias, paus-santos, jequitibá, entre outros. 2.DESENVOLVIMENTO/INFRA-ESTRUTURA: Segundo dados do Censo Demográfico de 2000, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, a região Centro – Sul de Belo Horizonte possui uma população de 260.524 habitantes, sendo 143.801 mulheres e 116.723 homens. A sua extensão territorial é de 32,49 Km², com densidade demográfica de 8.018,34 hab/Km², distribuída por unidades de planejamento – UP´s, conforme abaixo discriminado: UP BAIRROS /POPULAÇÃO* BARRO PRETO Barro Preto. / 6.325 habitantes. CENTRO Centro. / 14.399 habitantes. FRANCISCO SALES Santa Efigênia (área hospitalar), Floresta (área interna à Av. Contorno). / 8.374 habitantes. SAVASSI Savassi, Santo Agostinho, Lourdes, Funcionários. / 46.522 habitantes. PRUDENTE DE MORAIS Cidade Jardim, Luxemburgo, Coração de Jesus, Vila Paris, Morro do Querosene, Bandeirantes (parte). / 17.411 habitantes. SANTO ANTÔNIO Santo Antônio, São Pedro. / 28.450 habitantes. ANCHIETA/SION Carmo, Cruzeiro, Anchieta, Sion, FUMEC, Pindura Saia, Mala e Cuia. / 42.956 habitantes. SERRA Serra, São Lucas, Santa Isabel. / 22.971 habitantes. BELVEDERE Belvedere. / 4.733 habitantes. AGLORMERADO BARRAGEM Aglomerado Barragem: Santa Lúcia/Santa Rita de Cássia/Vila Estrela (parte). / 14.881 habitantes. MANGABEIRAS Mangabeiras, Comiteco, Parque das Mangabeiras, Aglomerado Serra (parte), Acaba Mundo. / 6.974 habitantes. SÃO BENTO/SANTA LÚCIA São Bento, Santa Lúcia, Bandeirantes(parte), Aglomerado Barragem (parte). / 13.187 habitantes. AGLOMERADO SERRA Cafezal, Aglomerado Serra: N. Sra. Fátima/N. Sra. Aparecida/N. Sra. Conceição/Santana Cafezal/Vitório Marçola (parte). / 33.341 habitantes. *IBGE-2000. Na área de educação, possui 34 escolas estaduais e 11 escolas municipais de ensino fundamental e médio, e 24 creches conveniadas com a Prefeitura de Belo Horizonte, atendendo, aproximadamente, 2.221 crianças. Dentre as 34 escolas estaduais da região, merece destaque a Escola Estadual Barão do Rio Branco, que em 4 de agosto de 2006 foi homenageada na Câmara Municipal de Belo Horizonte pela comemoração dos seus 100 anos de fundação. Responsável pela homenagem, o presidente da Câmara, Silvinho Rezende (PTN), enalteceu o papel da escola na vida da cidade e na formação de gerações e gerações de belo-horizontinos. Mais que isso, a importância da garantia do ensino público de qualidade para o fortalecimento da Cidadania. A “Barão”, como é chamada hoje, teve como sede inicial a avenida João Pinheiro no ano de 1906 com o nome de Primeiro Grupo Escolar. Em 1912 passou a ser denominada Grupo Escolar Barão do Rio Branco. Dois anos depois, em 1914, foi transferida para a sede atual, na Av. Getúlio Vargas 1.059, no bairro Funcionários, em um prédio de estilo neoclássico. A vanguarda pedagógica sempre foi uma de suas marcas. A professora Helena Pena, nos idos de 1914 dirigia os trabalhos. Hoje o educandário possui 1,4 mil alunos e desenvolveu parceria com a Fundação de Desenvolvimento Gerencial (FDG) para aperfeiçoar os métodos pedagógicos: os professores se reúnem com representantes da FDG para análise das turmas e definição sobre o atendimento a ser priorizado. Várias personalidades estudaram na Barão do Rio Branco: o poeta e escritor Paulo Mendes Campos, o jornalista Wilson Frade e o engenheiro e ex-presidente da Usiminas, Amaro Lanari, foram alguns deles. A escola realiza concursos de redação, projetos de inclusão digital, programa de encaminhamento dos melhores estudantes para cursos profissionalizantes, dentre outras inovações. Poemas, dança livre e artes também são ensinados em oficinas e palestras. Outra atividade realizada pelos alunos é a rádio educativa Artenativa, importante instrumento pedagógico de valorização dos estudantes. Os programas tratam de assuntos diversos como sexualidade, costumes e notícias variadas. Entre os planos da escola: lançamento de livro em comemoração aos seus 100 anos. Na área de saúde, possui 11 centros de saúde, 3 laboratórios, sendo 1 para exames de patologias, 1 de bromatologia e outro de atendimento sanitário, 2 policlínicas, 1 centro de zoonoses, 1 centro de treinamento e reabilitação – CTR e 1 centro de referência em saúde mental – CERSAM, todos sob a responsabilidade da Prefeitura de Belo Horizonte. Dentre outros hospitais conveniados, a região conta com o Pronto Socorro João XXIII, referência em atendimento de urgência da Capital. Quanto à habitação, o Censo Demográfico 2000 mostrou que a região possui 82.833 domicílios particulares permanentes, dos quais 73,19% são apartamentos. Dos responsáveis por esses domicílios 72,39% ganham mais de 5 salários mínimos, sendo que 33,43% ganham mais de 20 salários mínimos. Os moradores do sexo masculino são responsáveis por 61,52% dos domicílios particulares permanentes. A região é marcada pela concentração de jovens entre 15 e 29 anos, que representam 28,6% da população. Este fato pode ser explicado pela forte presença de estudantes que residem nas diversas repúblicas localizadas na região. A maior oferta de espaços culturais da capital mineira encontra-se na região, dentre os quais destacamos: Palácio das Artes, Minascentro – Centro de Convenções, Serraria Souza Pinto, Museu Histórico Abílio Barreto, Mercado Central e Centro de Cultura de Belo Horizonte, que possui uma biblioteca com expressivo acervo, sala de leitura, videoteca, hemeroteca, internet cidadã e cybercafé. Oferece, ainda, a Feira de Comidas Típicas, Artes e Artesanato, conhecida como feira hippie, realizada aos domingos na Avenida Afonso Pena.  

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