Três milhões de pessoas em 50 anos

O aumento populacional foi estimulado depois que o Distrito Federal ganhou autonomia política. Gente demais para uma capital, que há meio século, era só uma maquete. [youtube=http://www.youtube.com/watch?v=omNZulA-6Ww&w=400&h=350] Cidade mito-maquete. Cidade muito maquete. Cidade minto maquete. Cidade minha maquete. Cidade mínima maquete. Cidade, em mim, maquete. Brasília não é mais maquete, declama o poeta Nicolas Behr. O poeta tem razão. Brasília deixou de ser maquete para se transformar em cidade grande. Mas o crescimento foi desordenado. Hoje, os condomínios cercam o Plano Piloto, assentamentos viram cidades da noite para o dia, novos bairros surgem e o Entorno transborda de gente. Planejada para 500 mil habitantes, a cidade já tem mais de dois milhões. É como se Brasília fosse uma roupa de gente grande e você botou um bebê dentro. E o bebê foi crescendo e enchendo a roupa. Planejado foi só o Plano. O resto todo aconteceu em termos rigorosamente tradicionais, brasileiros, fala a arquiteta Maria Elisa Costa. E o crescimento das cidades brasileiras normalmente se dá sem o menor planejamento. O trânsito fica complicado, a segurança comprometida e o meio ambiente ameaçado. Na verdade, roubaram a nossa cidade. A gente nasceu aqui, viveu aqui andando, descobriu a cidade. Era uma coisa e de uma hora pra outra essa confusão toda brotou. Era algo meio que natural, mas acho que não devia ser tão rápido assim, diz o triatleta Alexandre Mazan. O brasiliense tem razão. Dados da Terracap mostram que o primeiro condomínio irregular surgiu na década de 70. Hoje, já são 513 cercando o Plano Piloto. Nós temos o episódio mais importante ocorrendo na autonomia política, a partir de 1990, quando os governantes adotam como política pública o descontrole territorial. Aí nós temos o capitulo mais triste da história urbana de Brasília, onde a grilagem de terra, a formação dos condomínios irregulares, se tornam política pública, destaca o professor de arquitetura da UnB Frederico Flósculo. O impacto ambiental é devastador. A Agência Reguladora de Água informa que se a captação continuar a mesma, o abastecimento só estaria garantido por mais quatro anos. E o Instituto de Meteorologia alerta: Brasília já tem as chamadas ilhas de calor, locais onde a temperatura é mais alta do que a média da cidade, por falta de vegetação, pelas grandes áreas asfaltadas e edifícios altos que impedem a circulação de vento. Mas, apesar das agressões, ainda há quem veja a cidade com os olhos da esperança e da poesia. A relação entre as escalas, que eles chamam de Brasília, é uma relação musical. Você tem silêncios, tônicas. E uma coisa ajuda e contribui pra a outra. Eu acho que isto é que tem que ser guardado, e vai ser, diz Maria Elisa. Reportagem: Márcia Zarur Produção: Vitor Matos Imagens: Almir de Queiroz, Marcione Santana e Luiz Ródnei Auxiliar de cinegrafista: Rafael Franzoni Sonorização: Marcelo Kbça

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Cadastre-se e receba mais informações sobre o lançamento!!

 

 

Fale com a gente