Uma volta por BH: Barreiro de Baixo e Barreiro de Cima

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Com 155 anos, a região onde estão os bairros Barreiro de Baixo e Barreiro de Cima tem muita história para contar. Surgido antes mesmo de Belo Horizonte, que foi inaugurada em 1897, o local fica em uma área que concentrava fazendas, como a do Barreiro, ao sul, e do Pião, ao norte. Inicialmente, sua ocupação foi feita por colonos que, com o apoio dos governos estadual e municipal, mudaram-se para lá com o compromisso de produzir alimentos para abastecer regiões próximas. Naquela época, além dos brasileiros, imigrantes italianos, portugueses e alemães se interessaram pelo cultivo das terras.
Além do solo fértil para a produção de alimentos, os muitos cursos d’água que existiam por ali – e que poderiam abastecer a cidade depois que ela crescesse – foram os motivos que levaram o governo do estado a comprar uma das fazendas e criar a Colônia Agrícola do Barreiro. Isso fez com que o local, mesmo distante do Centro da nova capital, se tornasse uma área estratégica para Belo Horizonte. Quem passa pela região hoje não consegue imaginar que lá foi uma área rural. De acordo com levantamento feito pela Prefeitura de Belo Horizonte, em 2006 a área concentra 9.747 atividades (comercial, industrial e de serviços). Isso faz com que ela seja a segunda região mais movimentada da capital, só perdendo para o Centro. Uma das pessoas que contribuíram para a vocação comercial dos bairros é Francisco Perugini, que completa 96 anos em 9 de novembro. Sobrinho de Domingos Gatti, imigrante italiano que comprou parte da Fazenda do Pião, suas visitas ao tio nos domingos tornaram-se mais próximas com sua mudança definitiva para o bairro, em 1943. De lá para cá, Francisco Perugini participou ativamente do progresso vivido na região. Comerciante conhecido no Barreiro, que tem como marca registrada seu Fusca vermelho, usado em seu trabalho e que ele dirige até hoje, o aposentado começou com um armazém – Casa Santo Antônio –, em 1944. “Naquela época, era só mato. Não tinha rua água, luz nem esgoto. A Avenida Visconde de Ibituruna não existia. Era uma estrada de terra, que não tinha nome”, lembra, fazendo referência à que é hoje a principal via dos bairros. Depois disso, veio o bar e boate Vesúvio, inaugurado em 1951. “Era bar em baixo e boate em cima. De 1952 a 1954, enquanto estavam construindo a Mannesmann, servíamos 72 refeições para o pessoal”, conta. A diversão também era garantida no estabelecimento. Todo sábado havia baile na boate, que recebeu até uma visita ilustre, em 1951. “Juscelino Kubitschek foi lá agradecer o povo por ter sido eleito governador”, conta Francisco Perugini. Em 1956, o comerciante terminou as atividades no Vesúvio. Mas, no mesmo ano, inaugurou o Bar Guarani, que funcionou até 1988, quando ele abriu a confecção La Perugina Vest, com a filha Lucrécia. “Assim eu vi os bairros se tornarem uma cidade completa, invejável, com um crescimento assustador, e que eu não imaginava que chegaria a tanto”, confessa. MERCADO. Pai de sete filhos, dos quais cinco vivos (Lucrécia, Mafalda, Pedro, Silvana e Ernestina), Francisco Perugini também viu nos imóveis uma possibilidade de investimento. O resultado foi a construção de dois sobrados e dois prédios, feitos com o objetivo de deixar algo para os filhos. Com a valorização dos imóveis na região, em decorrência de sua infraestrutura, a escolha foi mais que acertada. Apontados como bairros de padrão popular pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis da Universidade Federal de Minas Gerais (Fundação Ipead/UFMG) – classificação obtida considerando-se que a renda média mensal na região é inferior a cinco salários mínimos –, os valores de venda de apartamentos na região podem chegar a R$ 380 mil. Júnia Leticia – Estado de Minas

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