Viva a cor!

Viva a cor! Como se pintasse uma grande tela, a artista plástica Isabelle Tuchband mistura tons, texturas e objetos, fazendo da decoração uma brincadeira de menina travessa. Texto • Raphaela de Campos Mello Fotos • Célia Mari Weiss Em outubro, a fachada era lilás, em janeiro exibia um amarelo batizado de chinês imperial, agora está branca e azul, à moda mediterrânea. Assim é a casa da artista plástica Isabelle Tuchband, viva, inquieta, como a dona. “Quando era pequena, dizia ao meu pai que queria ser atriz para viver muitas vidas diferentes. Hoje, atuo de outra maneira. Pinto e crio meus cenários”, conta. O maior deles é a própria casa, extensão de suas telas, femininas e muito coloridas. Situada num bairro tranquilo de São Paulo, nos fundos de um terreno arborizado, a residência, que também abriga o ateliê da artista, lembra uma chácara, onde tudo remete à própria infância. Filha do pintor francês Émile Tuchband (1933- 2006), ela nasceu em Taubaté, no interior paulista, de onde saiu aos 20 anos para estudar artes em Paris. Dois anos depois, estava de volta, pronta para fincar raízes na metrópole. “A casa é o nosso templo, é uma vida que está sendo contada com amor” Isabelle Tuchband, artista plástica A garota elétrica que se gabava de morar no melhor clube que uma criança pode ter – uma fazenda povoada por livros, música, tintas e natureza – hoje cria e recria seu espaço sempre que a inspiração dispara o sinal verde. “Somos sazonais, a natureza nos ensina isso. Do contrário, a vida fica entediante”, diz. O marido apoia as mudanças propostas pela esposa e aproveita para fazer piada, dizendo que reza para ela não trocar também de parceiro. “Somos sazonais, a natureza nos ensina isso. Do contrário, a vida fica entediante” Isabelle Tuchband, artista plástica
bordado Paixão flamenca Na sala de estar, Isabelle revestiu as poltronas com um antigo xale espanhol. A tela com dançarinas flamencas – uma das paixões da artista – foi um presente assinado pelo pai. – foi um presente assinado pelo pai.
 Como se pintasse uma grande tela, a artista plástica Isabelle Tuchband mistura tons, texturas e objetos, fazendo da decoração uma brincadeira de menina travessa. Texto • Raphaela de Campos Mello Fotos • Célia Mari Weiss Para Isabelle, o lar é o reduto da livre expressão, dos desejos e dos rituais. Em certas noites, tem de aquietar sua alma cigana. Então, acende uma fogueira, senta-se no chão e contempla as estrelas. De dia, cuida das roseiras e dos jasmins. Com eles prepara longos banhos para relaxar e se reinventar. “Coloquei uma banheira no meu microbanheiro, o lugar que mais gosto de ficar”, confessa. Acompanhada de velas, luzes coloridas, livros e música, a pintora silencia a mente por alguns instantes, certa de que sairá dali renovada e, claro, cheia de ideias. Mistura fina Dona de um olhar apurado, Isabelle mescla referências diversas com uma desenvoltura invejável. Destina uma cor diferente para cada cômodo, tendo o cuidado de reservar outro tom para os batentes. Sobrepõe estampas e bordados, transforma um guarda-sol tailandês em lustre, forra poltronas com um antigo xale espanhol, literalmente, pinta e borda. O segredo das combinações bem-sucedidas? Ela compartilha com satisfação: ousadia, intuição, autoconhecimento e, acima de tudo, prazer, muito prazer.
casa Mistura ousada Isabelle sabe dosar com maestria cores, tecidos e texturas. O sofá de veludo azul emana aconchego. Ao fundo, o tapete feito sob encomenda possui desenhos criados pela proprietária.
“Para mudar a energia da casa, jogue fora tudo o que não é legal e troque por objetos inspiradores” Isabelle Tuchband, artista plástica Seguidora da sua própria cartilha de decoração, ela passa longe das peças despidas de significado. “A casa é o nosso templo, é uma vida que está sendo contada com amor”, filosofa. Sua história está exposta para ser reverenciada por meio de móveis de época herdados de familiares, presentes de amigos, fotos fixadas no canto do espelho, lembranças de viagens. Para ela, os objetos vão além de meros enfeites. Por isso, aconselha, “tire tudo o que não é legal e coloque adornos inspiradores. A energia do local mudará”. O que está ao redor também deve alimentar os sentidos. Logo, o tato determina a preferência por sedas, linhos e veludos. As flores perfumam os ambientes e as velas se encarregam da iluminação intimista. Enquanto isso, a música vai purificando os ouvidos e o café animando o paladar. Receber é um dos hobbies da proprietária. Não por acaso, uma breve visita se transforma num batepapo à deriva, daqueles que só podemos ter numa tarde na fazenda.
Buda Fonte de inspiração Esta estátua de Buda, originária do Vietnã, acompanha Isabelle há 20 anos. Presente de um amigo, a peça leva luz ao ateliê da artista, além de conectá-la, segundo ela, com energias superiores.

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